Vai pra onde de moto? Pra o Peru

Gosta de viajar (solo)? Este relato pode-lhe ser útil. Desculpe pelo textão, mas vale a pena!

Texto: Nilson Silva

 O nosso desejo de muito tempo era de ir até a cidade de Cusco, Peru, de moto. Fizemos um planejamento e marcamos a data de saída de nossa casa em Brasilia para o dia 13/09, 07:30h.
Moto revisada, provisão de dinheiro em especie mais saldo no banco e limite no cartão lá fomos nós.
Pra não ficar muito maçante, vamos apresentar em forma de relatório, especificando sempre a etapa percorrida, as distâncias e as despesas, tudo bem?
Primeira Etapa: data: 13/09/2018. Brasilia, Samambaia Norte a Rondonópolis-MT. Total: 918 Km. Saída: 07:15h. Parada: 18:00h Almoço em Jataí-GO. Combustível: 170,00; Hospedagem: 150; Alimentação:40,00. Total: 360,00 Obs: Tempo bom, 500 km de pista duplicada.
 Segunda Etapa:data: 14/09/2018. Rondonópolis-MT  a Pontes e Lacerda-MT 660 km; saída: 07:10. Chegada: 17:00h. Combustível: 142,00; alimentação: 48,00; Hospedagem: 130:00 Total: 320,00. Obs: Tempo, chuvoso, área conurbada com Rondonópolis e outras cidades próximas, com trânsito intenso de carretas, trecho em obras e vento lateral entre Rondonópolis e Cuiabá. Trecho chuvoso e com aproximadamente 20 Km de engarrafamento de carreta na região metropolitana de Cuiabá.

Terceira Etapa: data; 15/09/2018. Pontes e Lacerda-MT,(saida 07:36h) a Itapuã do Oeste-RO, (19:00h (900 Km). Tempo nublado a chuvoso. Combustível: 126,00; Hospedagem: 60,00; Alimentação: 40,00. Total: 226,00. Chuva intensa repentina, com raios e trovões entre Ariquemes e Itapuã do Oeste. Parada forçada. Capa de chuva molhou, bota 100% impermeável encharcou, baú de alumínio da  moto e mochila impermeável também não suportaram.

Quarta Etapa: 16/09/2018. Itapuã do Oeste-RO (Saída: 07:30h) a Rio Branco-AC.(chegada: 18:00h). 700 Km. Combustível: 180,00; alimentação: 35,00. Hospedagem: 98,00. Total: 313,00.  Obs: tempo chuvoso, tráfego intendo de carretas, com chuva persistente até Porto Velho. depois de Porto Velho mais chuva. totalizando 430 Km de chuva, com calçado e roupa de chuvas encharcados. 20 Km de muita lama entre Porto Velho Abunã, na obra de elevação do do leito da estrada. Almoço e travessia de balsa do Rio Madeira em Abunã. Poucos quilômetros de tempo ensolarado e mais chuva até chegar em Rio Branco. Hotelzinho aconchegante, limpinho e lanche em quiosques de comidas típicas na praça da Revolução, no Centro da Cidade.

 Dia 17/09/2018: Foi dia de descanso. Aproveitei pra levantar mais tarde e tomar café tranquilo no Hotel.Dei uma volta pela  cidade atravessei o Rio Acre pra lá e pra cá. Fotografei o Centro Histórico, pontos turísticos. Troquei de hotel e almocei. Fiz contato com o amigo Simmel do Natus Motoclube. O cara é 10. Foi ao meu encontro, ficou a tarde toda a minha disposição. Foi comigo ao Corpo de Bombeiros-AC,  onde localizei um amigo de longa data e fiz outros amigos, viabilizou a aquisição de outra bota impermeável, Passou-me orientações importantes de como ir ao Peru. Me deixou no hotel no fim da tarde. Combustível: zero. Alimentação: 90,00. Lavagem da moto: 15,00 hospedagem: 70,00. Total: 175,00.
Quinta Etapa: 18/09/2018. Rio Branco-AC (saída: 07:00h) a Porto Maldonado-Peru (chegada: 16:30h). Total: 570 Km. Combustível: 134,00 solis; alimentação: 16 solis; Hospedagem: 60 solis. Total: 210 solis. Obs: Antes de meio dia apresentei o Passaporte e foi carimbado na migração do lado brasileiro, em Assis Brasil-AC. Em seguida fui na migracion do lado Peruano. As perguntas de sempre fichamento de digitais, carimbo de passaporte, tudo certo, mas não consegui fazer o seguro da moto ao lado da SUNAT (uma especie de DENIT peruano), a mulher que fazia esse raio de seguro tinha falecido e só ela poderia fazer. Fui orientado a fazê-lo em Porto Maldonado. Isso me deixou um pouco apreensivo. Descobri na hora do almoço do lado Peruano que meu telefone não estava preparado pra funcionar do lado de lá. Fiquei sem telefone e no restaurante não tinha wi fi. Cheguei em Porto Maldonado ensopado pra variar. O povo não entende português e eu não “hablo espanhol” e sem telefone e sem internet. Não consegui localizar o tal lugar de fazer o seguro e nem o hotel que meu amigo do Acre tinha indicado. Mas achei um hotel legal, com wi fi. No outro dia cedo tinha intenção de acionar um homing internacional de uma das minhas operadores de celular, pela internet do hotel. Amanheceu sem energia e sem Net.Vamos pra frente.
Sexta etapa: 19/09/2018. Porto Maldonado-Peru, (07:00h) a Quincemil-Peru, (12:00h), Total:200 Km. Combustivel: 15,00 sólis; Alimentação: 21,00 sólis; hospedagem: 35,00 solis. Total: 71,00 solis.Tempo bom, Trânsito tranquilo na Amazônia Peruana, 100 kms iniciais de planície. Os últimos 100 km entre montanhas, vales, matas e rios, velocidade regulamentar de até 30 km. Quince Mil finalmente, onde resolvi dormi. procurei um Hostel, passei o resto do dia e dormi.Cidadezinha pequena, com pouca estrutura para acolhimento e fim da linha, faltando 200 quilômetros para chegar a Cusco. O odômetro estava marcando 3.905 km. Decidi voltar pela falta da Roupa de frio e de chuva adequados, pela falta da telefonia/internet e por falta do seguro especial da moto que não consegui contratar.
 Sétima etapa: 20/09/2018. Quincemil-Peru 06:30h. Epitaciolândia-AC 17:00h. Total: 581 Km. Combustível: 90,00 solis +r$35,00. Alimentação: 6,00 solis + r$ 15,00 hospedagem: r$ 60,00. Total: 131,00 solis + 75,00 reais.  Tempo chuvoso inicialmente, queda leve de barreiras e árvores na estrada pela chuva da noite anterior. a partir das 10: 00h tempo firme e uma blitz da Policia Nacional do Peru, próximo a Mazuco, com verificação de passaporte e pedido do bendito seguro que não fiz. pelas razões já citadas. O guarda falou em multar, legar pra “comissaria” mas fez muitas perguntas sobre a minha moto, deu uma volta nela, tiramos umas fotos e ficou meu amigo, presenteei-o, com adesivo e broche do nosso motoclube e um exemplar do Novo Testamento “personalizado”. daí ele liberou.

Oitava Etapa: 21/09/2018. Epitaciolândia-AC 06:30h Porto Velho-RO 17:30h Total: 720 Km. Combustível: 198,00. Alimentação: 55,00. Hospedagem: 130,00. Total: 380,00. Tempo bom com pouca chuva. paradas de mais de uma hora na travessia da balsa do Rio Madeira, e na obra de elevavação do, leito da estrada próximo a Jaci-Paraná-RO. Tempo fechado com chuva fina e vento na chegada a Porto Velho. Hotel Accord na beira da BR foi providencial. Caiu chuva torrencial no inicio da noite.

Nona Etapa: 22/09/2018. Porto Velho-RO 08:00h Vilhena-RO 18:30h. Total: 705 Km. Combustível: 179,00. alimentação: 12,00. Hospedagem: 70,00. Total: 261,00. Obs: pela manhã em Ariquemes encontrei uns irmãos motociclistas que estava indo para um encontro do AMM Motoclube em Presidente Médici. Fui convidado fiquei por lá por cerca de 20 horas, almoçei, fiz novas amizades e conheci entre outros o José Carlos, de Ilhéus que estava vindo do Peru e parou no encontro também e a partir daí tocamos juntos até Brasilia. pequeno contratempo após o almoço; após uma parada no acostamento para colocar a capa de chuva as duas motos foram ao chão. Grande esforço para colocá-las de pé. após a operação, fui acometido de um mal súbito repentino, uma vertigem.Percebi que estava desidratado e com desarranjo intestinal, motivo pelo qual conseguimos chegar á Vilhena após muita chuva ao anoitecer, onde decidimos dormir. Indo para o banheiro a noite toda tomando apenas água.

Décima etapa: 23/09/2018 Vilhena-RO 07:00h a Pontes e Lacerda-MT 12:00h.  Tempo bom.Total: 313 Km. Combustível: 85,00; Alimentação: 15,00; Medicação: 17,00; Hospedagem: 70,00. Total: 187,00. Mal estar persistente, um episódio de diarreia; um episódio de vômitos, desidratação e sonolência, motivos que nos obrigou a pernoitar em Pontes e Lacerda e investir na recuperação. Deus abençoou, deu certo, no outro dia conseguimos prosseguir melhor.

Décima primeira etapa: 24/09/2018. Pontes e Lacerda-MT 08:00h   a Rondonópolis-MT 17:30h. Total: 630 Km.Tempo bom na maioria do percurso, chuva fina por volta das 15 horas. Combustível: 160,00; Alimentação: 40,00; Hospedagem: 70,00. Total: 270,00. Percurso mais tranquilo. Transito  intenso entre Várzea Grande e Cuiabá e entre área conurbada próximo a Rondonópolis.
Décima segunda e  última  Etapa: 25/09/2018. Rondonópolis-MT 07:00h a Brasilia-DF 20:30h Total: 918 Km. Combustível: 167,00. Hospedagem: 70,00. Alimentação:30,00. Total: 267,00. Chuva fina no inicio da manhã.Tarde ensolarada. Algumas paradas para fotos, descanso e alimentação. Viagem tranquila. Graças a Deus cheguemos casa são e salvo, após 7.791 Km, 4 estados e mais um país carimbado nem nosso passaporte.

Observações Gerais:
1) A Moto: Triumph Tiger XRX 800 preta, ano modelo 2015, com 30 mil km rodados; Revisada, ainda co a relação original, pneus novos. Gastou somente combustível e lubrificação de corrente uma vez ao dia.

2) Vestuário: Levei bastante roupas, principalmente camisas polo, camisetas, bermudas, 3 calças com a jeans  que fui vestido e não lavei. Voltou parecendo um baixeiro ( quem é da roça sabe o que é isso). Não usei nem metade das roupas. O conjunto impermeável que comprei na autorizada da Triumph aqui em Brasilia, paguei caro, se mostrou ineficiente. Deixou-me molhado e com principio de gripe. A Bota marca Texx, 100% Stop water, mostrou-se um fiasco também. Deixou molhar até a minha alma. Tive que deixá-la em Rio Branco, onde comprei outra da marca Mondeo, que se mostrou mais eficiente.

4) Missão: Na condição de cristão evangélico que sou, aproveitei viagem para distribuir exemplares de Novos Testamentos personalizados com o logo de nosso Motoclube, além de distribuir botons e adesivos do mesmo.

5) Presentes: Ticket médio de despesa diária, na faixa de 300,00.Despesa com presentes para familia em Puerto Maldonado: 200 sólis.
6) Hotéis: Os 3 melhores hotéis que fiquei foram: Horto hotel em Rondonópolis, a mais ou menos um Km do centro e a 400 metros da BR; D’ Milez, em Porto Maldonado, também próximo á BR. Hotéis no Peru parece que não oferecem café da manhã, e  Hotel Accord em Porto Velho, também próximo á BR, longe do Centro, mas tem um serviço de restaurante bom. O proprietário é uma pessoa simples, ajuda os garços a servir e além de tudo é motociclista.

7) Os peruanos e o dinheiro: Pessoas digamos legais. Pessoal da migração muito atencioso, mas ao longo do percurso se mostraram um pouco retraídos, apáticos, pouco receptivos á estabelecer “novas amizades. Não são muitos bons de passar informações, mas no geral a gente se entendeu. Hospedagem e alimentação nos lugares que fomos achei o preço super bom. consegui almoçar ou jantar a partir de 5,00 sóis. A moeda nacional, o Sol peruano é mais valorizado que o nosso real, na proporção de 1 real para 0,75 de sol. Acho que dá uns 25% a mais. Um galão de gasolina comum (3,6 litros) vale de 9 a 11 solis. Mais ou menos ente 2,50 a 3,00 sóis o litro e sem álcool, mais barato do que aqui? pagamos a maior parte das despesas á vista. Mas também usamos cartão de débito e crédito. chegamos em casa com o tanque da moto marcando 3/8 e grana no bolso ainda!

8) Satisfação: Imensa, conhecer novos lugares, novos estados, novo país, novas culturas novas pessoas, mesmo indo de maneira solo, foi muito bom. recomendo e se o Senhor Deus em sua infinita bondade o permitir, faremos novamente.  Recomendo!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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